terça-feira, 27 de abril de 2010

Reflexão e crítica à violência familiar é tema de peça teatral

Espetáculo que tem origem uruguaia retrata a história de uma família cheia de intrigas, brigas e guerra de egos
Leticia Bombo
  Hora do almoço. Família reunida em volta da mesa - ou não, afinal, em tempos modernos cada um por si – TV ligada, sintonizada em um desses programas que além de dizer quem morreu, aproveita para mostrar o corpo estirado. Pessoas comendo. Enquanto do outro lado da tela muito sangue e um festival de notícias horríveis, nada agradáveis de ouvir, principalmente na hora do almoço. E as pessoas? Para elas é apenas mais um acontecimento:

  - “Que horrível, viu só?”

  - “Pois é... Ah! Você não vai acreditar quem eu encontrei ontem...”

  Indiferença perante a sociedade em que vivem. Mas será que é apenas perante essa sociedade? Na realidade, a família acima descrita tem muitas indiferenças, inclusive entre eles mesmos. Jogo de intriga, amores impossíveis, vinganças, assassinato, loucura e uma boneca, que à primeira vista parece ser tão inocente quanto uma simples boneca, mas que pode se revelar assustadoramente real e um tanto agressiva.

  Esse cenário familiar violento é retratado no espetáculo Mi Muñequita, escrito pelo uruguaio Gabriel Calderón, que ficou em cartaz durante quatro anos no Uruguai e em países de língua hispânica. Em 2008, a peça estreou no Brasil, em Florianópolis, com adaptação e direção de Renato Turnes. De acordo com o diretor, os nomes originais dos personagens foram mantidos para preservar a atmosfera latina do texto. Quem os interpreta são os atores Milena Moraes (La Madre), Sabrina Gizela (La Huerfanita), Malcon Bauer (El Tío), Álvaro Guarnieri (El Padre), Monica Siedler (La Nena) e Paulo Vasilescu (El Presentador).

  Apesar de a peça ter sido inspirada nos anos 70 latino americano, as entradas do Presentador, que se relaciona com o público e com os atores, faz com que o espetáculo seja contemporâneo. Pois, utilizando do humor, ele acaba expondo algumas questões de relacionamento familiar e pergunta diretamente para o público o que o público faria no lugar daquelas pessoas. Segundo o diretor, “as intenções do espetáculo são provocar a reflexão e a crítica sobre a sociedade e nós mesmos e, claro, a diversão”.

  Desde 2008, Mi Muñequita já ganhou prêmios, participou do EmCena Catarina, projeto de intinerancia regional do Sesc, além de algumas temporadas em Florianópolis. O próximo passo será no dia 28 de abril, em Fortaleza, quando começa a turnê nacional pelo Palco Giratório, projeto que também é organizado pelo Sesc.
  O grupo retorna à Santa Catarina no final do ano. Quem não pode ir nos dias 17 e 18 de abril, no Teatro da Ubro, vá à próxima apresentação que será dia 04 de setembro desse ano. Vale a pena assistir, no mínimo para dar risada e repensar sua postura diante dos acontecimentos cotidianos da sociedade e, tão importante quanto, do relacionamento familiar diário.

terça-feira, 13 de abril de 2010


Querido diário, muito tempo depois.

É. Muita coisa aconteceu muito tempo depois. Algumas promessas já foram cumpridas, outras estão sendo e outras hão de vir.

Já que consegui o que queria, agora quero coisas novas. Descobri, nesse muito tempo, que não me basta o que queria. Me basta e ao mesmo tempo me falta, querer. Falta sim, porque se quero significa que ainda não tenho, se sempre quero, significa que nunca tenho. Numa visão mais Pollyana - eu estou sempre em busca do novo, de obstáculos e novas surpresas - e, pra cair no piegas (e eu que nunca pensei citar ele) 'eu prefiro ser .... blablabla....'

Descobri mais uma coisa. Apesar de estar afim de mudar o tempo todo, gosto de rotina. Mas só às vezes. Às vezes ela me acalma, às vezes não. Depende. Até a TPM depende. Posso chorar muito, rir muito, brigar muito ou ficar muito quieta. Távendotudodepende.

De qualquer maneiraqueridodiáriomuitotempodepois o que tinha pra te falar eraisso daquiumtempo depois temmais.